terça-feira, 14 de abril de 2009

O tempo e a selva, de pedra


Sempre que começa a raiar o dia, lembro das vezes em que vi o nascer do sol do alto de uma montanha. Hoje, aqui na selva de pedra, assisto o nascer do astro rei no vigésimo primeiro andar de um espigão que tenho a honra de docilmente chamar de casa. Como “urbanóide” convicto que sou, não menosprezo as maravilhas feitas pelo homem. Mas, por outro lado, não descarto as que são produto da natureza. Tento perceber as sínteses múltiplas e infinitas que ambas podem gerar. Afinal, como um pólo dialético é dependente do seu oposto, a natureza necessita das criações humanas para que possamos valorá-las cada vez mais.

Nestes momentos busco refúgio nas solidões provocadas pelas temporalidades e suas análises. Tendo a explicar meus tempos através dos ritmos temporais dos outros fenômenos. Einstein, através de sua revolucionária teoria da relatividade, nos ensinou que as viagens que os fótons fazem entre as fontes de luz, os objetos opacos e os nossos olhos, nos iludem sobre a percepção do tempo. Apesar de não alterá-lo, nem muito menos mudar seu ritmo, somos docemente enganados. Nos afastar de um objeto pode mantê-lo como queremos vê-lo, independente do tempo que cruelmente segue seu ritmo.


16 comentários:

Gabriel Vitorino disse...

Essa é uma daquelas postagens que precisam de tempo... para serem melhor apreciadas.

Me limito, nesse curto período de reflexão, a elogia-lo mais uma vez pela qualidade crescente desse blog.

Lenir disse...

Bonito, Vitão Vou atéaté pesquisar essa tal de 11 marxiana.... adorei...beijos !!

du tom disse...

belas curvas, vitor! (as do edifício, naturalmente)

Isabella disse...

Adorei!

Bruno Lagoeiro disse...

A reflexçao sobre o que você escreveu será guardada para o dia-a-dia transeunte de meus pés... por enquanto: parabens, ficou mt bom.
abraçao

Julia disse...

A selva de pedra onde o tempo não para espera sempre um novo regresso...

Teresa Cristina disse...

Uau!!!
Belo Vitor!

Taaay disse...

Concordo com parte de suas palavras. Mas ficou uma dúvida? De onde é essa foto ?

Lola disse...

"Nos afastar de um objeto pode mantê-lo como queremos vê-lo, independente do tempo que cruelmente segue seu ritmo."

Pedro Cross disse...

Muito bom!
Abç.

Valeco disse...

É, passarinho voa alto...

______----------- disse...

Deixa de ser urbanoide, ser um agro-boy é mt mais chique!

rá frick disse...

é meu amigo da serra... Tive que ver-me em "um espigão que tenho a honra de docilmente chamar de casa".
Estranho isso né... E agora eu to aqui em Petrópolis olhando pela janela 3 enormes montanhas... E doida para chegar no meu urbanóide Rio! (O que eu farei, se possível ainda hoje!)Bjs e linda a foto!

margotdivino disse...

Ser humano as vezes é ter que fingir a própria natureza/fingir-se sério quando se quer brincar/assim fugir do julgo que não se quer provar/pode um ser ter feito grandes feitos/ ainda assim não conseguir sorrir...

Parabéns pelas fotos, falam mais de vc do que tuas próprias palavras..
Abraço
http://www.mardivino.blogspot.com

funçao disse...

vc e f... velho,gostei de vc e da sua atitude,continue assim,mostre que mesmo na urbanóidade existe doçura e sentimento,grande abraço!

Marisa Vieira disse...

Parabéns, genial Vitor!
Excelente...essa é a lente!rs

beijo da Marisa