domingo, 23 de setembro de 2007

Volto ao Gragoatá, lugar de onde nunca saí.

Ao longo da vida, fazemos escolhas, umas complexas, outras mais fáceis. No entanto, uma marca é comum a todas elas: escolhida uma porta, a outra fica para trás fechada para sempre. Quando por aqui aportei, há 4 anos, fiz uma escolha. Optei deixar, por um breve momento, a teoria em segundo plano e me dedicar plenamente à prática. Para ser mais exato, um mergulho na práxis, pois, sem teoria revolucionária, não há prática revolucionária, já dizia o careca bolchevique.

Após fechar uma porta, abri outra. Fiz de caso pensado. Pus a chave, virei a maçaneta suavemente e bem devagar empurrei. Sem muito estardalhaço, adentrei o novo território. Primeiro um, depois o outro pé, bem firmes no chão. Percebei que o terreno era conhecido, muito familiar. As pessoas são as mesmas, os debates muito similares aos antigos. Mas algo era novo. Muita água haveria de correr por esse rio para que eu descobrisse o que havia de novo na porta que abri.

Estava cheia. Abarrotada, para ser mais preciso. Meus braços roçavam nos outros ao lado. Sem meias palavras, o tema era abordado de forma intrigante e polêmica. Direito e reto, como o povo gosta, debatíamos os velhos conceitos e pré conceitos. Foram ao chão, um por um. Chegamos ao fim. A porta era o caminho natural e, de fato, foi. Lá em baixo, aquele café caprichado bebi, acompanhado por um cigarro que tocava meus lábios de vez em quando. Após o ritual próprio dos momentos de intervalo, me dirigi aos blocos mais distantes. Chegando lá, reencontrei alguns amigos que não via há algum tempo. Sentamos em volta de uma mesa de concreto. Conversávamos tranquilamente, enquanto o sol ia baixando devagar e sempre. Cumpria o destino de todos as tardes de forma singela e única. Nem parecia algo comum, pois tamanha beleza deveria ser guardada para momentos especiais . Mas, ainda bem que não era.


Foi ali que percebi. Escolhi a porta do retorno. Mas, não havia me dado conta que ao retornar, mudei. Sem pressa de ser algo que não sou, nem prepotência de querer aquilo que não posso, transformei minha forma de ler o mundo sem passar pela alfabetização. Leio o mundo com meus olhos que não se fecham para a mudança, nem muito menos ao velho, mesmo que travestido de novo.


9 comentários:

Stephania disse...

A foto que eu gostei!!!!! Esse avião tá foda no sol!!!!!

Beijos lindo!
p.s: vou botar no meu orkut!

Paulo disse...

Po Vitor me amarro no seu jeito de escrever... as formas as palavras, parecem escolhidas com cuidado... quando eu escrevo é só impulso desejo de comunicar... parece afoito... vc não... parece tranquilo... tranquilo como a tarde em que aquele avião passeava... parabéns... muito legal.

Babi disse...

Caramba, Vitor.. n�o sabia que vc fotografava t�o bem! Adorei! =)

bjuuu

clarissa. disse...

Vitor, fiquei na duvida em que elogiar primeiro, as fotos ou o texto. A sensibilidade que vc tem para mostrar o seu mundo através fotos não é novidade. Novidade pra mim, foi perceber essa sensibilidade no texto.
Adorei o blog.
beijinhos!

Daniel disse...

Muito bom camarada!
Aproveito a deixa pra desejar um bom "recomeço". Nada como uma intensa redescoberta para nos nutrir de alegria, né?
E vejo que está curtindo à flor da pele. Que bom!
Viva os comunistas na academia!
Abração

P.S.: Daqui a pouco era hora de tu escrever um conto hein...

sarita yara disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
sarita yara disse...

Bem, as fotos estão mto boas! Algumas um pouco óbvias, mas quem disse q o óbvio tb ñ é belo?

O conto, se assim posso chamar, tb está mto legal! Diria, inspirador, mas sabe...me lembrou algo, na forma, nem tanto, mas no conteúdo..depois me conta o que v. anda lendo...talvez isso elucide a minha familiaridade com o texto!
Voltarei outras vezes!
Beijos

Polemos disse...

Salve!

Fotos iradas, bom texto... Aliás, Lenin era careca? heheheh sempre pensei que ele tivesse um cabelo ralo mas que tava lá :-D :-D

Débora Agualuza disse...

Parabéns pelo blog!
Suas fotos são incríveis!
Embora divergimos em alguns posicionamentos, acredito termos a mesma missão: conscientizar os jovens sobre a importância da luta, assim sendo, mudando suas realidades e das pessoas em volta!

Sorte!