sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Balanço

Este blog começou com a superação do fotolog que criei para expor minhas fotografias e artes. Os motivos do rompimento estão expostos na primeira postagem deste blog . No entanto, por não nutrir sentimentos negativos ou ressentimentos contra o meu antigo fotolog, publico o balanço das fotos publicadas nele durante os poucos meses que ele foi o meio de expôr o que produzo.

Quem quiser comentar, aponte a foto que mais gostou.

Como diria um amigo,

Há braços,

Vogel

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13/05/2007

Garfado?
Garfei mesmo!
Roubado ou não,
o Mengão é Campeão!

Inicio a série com uma homengem ao Mengão que mora no lado esquerdo peito.

Vitor Vogel
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15/05/2007


Não vale a pena ver por um instante. Se assim for, não percebemos que nossa visão é ofuscada pela riqueza de luzes. Felizmente, eu e outros, percebemos o processo, mesmo que expresso em imagem sem movimento. Nela, percebemos que, acima da luzes ofuscantes da bela cidade, vive um povo sofrido, que não usufrui daquilo que produz.

Vitor Vogel

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17/05/2007

Uns cantam as luzes de sua vinda. Outros fotografam as sombras feitas pela sua ida. Ambos saúdam sua vida.

Vitor Vogel

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19/05/07

Cuidado!

Na tentativa de apreender um reflexo do cotidiano, descobri que qualquer um que fotografar o campus da UFF deve pedir autorização ao reitor. Olhe onde chegamos, para produzir arte precisamos de autorização!

São nestes momentos que tenho minhas recaídas anarquistas: Leis foram feitas para serem quebradas. Mas, isso não ficará assim, afinal, sai do anarquismo e virei comunista. " Tenho certeza que os donos da terra ficariam mais contentes se não ouvissem minha voz. Hoje é tempo de guerra / É tempo sem sol!"

Vitor Vogel

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23/05/07

Na pirâmide social, ou no prédio brasileiro, como preferem alguns, nasci no andar do meio. Diferentemente da maioria dos ocupantes do meu pavimento, neguei o anseio de subir por um espaguete podre para o andar de cima. Estou com os do andar de baixo. Para acabar com os andares.

Vitor Vogel
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27/05/07

Num dia de canja de galinha, um pouco de nostalgia não faz mal a ninguém.
Fui para minha terra natal. Lá encontrei um frio de matar e algumas das lembranças de uma infância pequeno burguesa. Sem culpa, nem remorso, digo que não me arrependo do que fiz, nem mesmo da opção de negar minha origens. Afinal, cada um faz sua opção, de classe.

Vitor Vogel

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03/06/2007

FEIO NÃO É BONITO
C. Lyra e G. Guarnieri

Feio,
Não é bonito
o morro existe
mas pedem pra se acabar

Canta
mas canta triste
porque tristeza
e só o que se tem pra cantar

Chora
mas chora rindo
porque é valente
e nunca se deixa quebrar

Ama,
o morro ama
um amor aflito
um amor bonito
que pede outra história"

Beleza na feio? Convite à luta para que deixemos de procurar beleza no feio.

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12/06/07

Salve Daniel, presidente eleito da UEE-RJ,

Aqueles que frequentam este pobre fotolog já perceberam, aqui não é lugar de fotos com acenos ou festinhas de amigos, é espaço de combate, a serviço da luta política do povo brasileiro. Esta foto, por mais que pareça coisa de puxa-saco ou tributo, não é.

Publico-a neste tímido espaço para expor o resultado dos comunistas no movimento estudantil do Rio de Janeiro. Conheci este cabra lá em Petrópolis, era um "louco" de uma escola de playboy no centro. Foi pro Rio, lá participou do movimento estudantil da mais importante universidade federal do Brasil, a UFRJ. Chegou no olho do furacão. Mesmo com os ventos fortes, manteve-se de pé. Enfim, falo não do Daniel, falo da resultante política de um amplo movimento de consolidação da UJS no movimento estudantil.

Salve Daniel, salve a UEE-RJ, Salve a UJS!

Vitor Vogel

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21/06/07


Essa sai do forno para continuar a série processos em fotografia.

"A casa lá na fazenda
A lua clareando a porta
Deixando um brilho claro
Nas pedras dos degraus
Cristal de lua (...)"

E. Lobo e G. Guarnieri
Memórias de Marta Saré

Mesmo não sendo na fazenda, vale a pena registrar. As memórias de Marta Saré e o cristal de lua continuam na cidade grande.

Vitor Vogel

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30/07/2007


Vivemos momentos estranhos. Vivemos uma profunda crise civilizacional. Cada vez mais o imoral torna-se banal. Ouvimos os gritos de satisfação vindos da pequena burguesia: “Mata”, “esfola”, “Caveirão: use e abuse”. Mas, quando o assunto é ampliar para as favelas próximas de seus castelos e condomínios, o tom muda. “Perái, tem que ser com jeito”, “Não pode usar tanta força”. Mais largo está o fosso entre pobres e ricos, entre povo e elite. E o que ouvimos? Deixo a palavra com o policial que, comemorando o sucesso da operação no complexo, fumou um charuto: “Queria estar no Iraque”. Pobre homem, mal sabe, ou preferiu ignorar, que um terço do povo brasileiro passa fome. Já vivemos a barbárie.

No meio deste caos, num lugar cada vez mais hostil ao ser humano, tentamos viver. Uns se resumem ao observatório, outros buscam a solução. Admiro aqueles que, mesmo neste turbilhão da procura pela alternativa, gozam do prazer que é viver.

Vitor Vogel

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09/07/07

Eita juventude!

Há setenta anos isso se repete, muda o alvo, mas a indignação é sempre a mesma. Desta vez o alvo foi o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Depois dele, acharemos outro. Sempre haverá alguém para personificar a injustiça e a opressão. Sempre haverá estudante para combatê-las.

Se eu fosse Brecht, diria que eles são imprescindíveis.

Salve a capacidade de se indignar. Viva quem se dispõe a lutar por ela.

Salve a UNE, Salve a juventude!

Vitor Vogel

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12/07/07
Publico esta foto em homenagem aos vendedores de doces nas beiras de estrada. Seja em kombis, banquinhas ou casebres, as delícias vendidas por eles satisfazem a vontade na hora e deixam saudades depois.

Vitor Vogel

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16/07/07

Emoldurando nossa maravilha moderna.

Vitor Vogel

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18/07/07

Voa passirinho, voa!

Tirei essa foto há algum tempo. Estava guardada no meu PC quebrado. Agora que eu consertei o pobre "lentium", "boto pra rolo".

Ao escrever estas linhas, estava ouvindo um maravilho disco de Sivuca, baixado no umquetenha.blogspot.com. Não conhecia este, Sivuca (1974), mas, só pela primeira música, já fui consquistado.

Procurava uma legenda para a foto. Estava difícil. A quinta faixa do Sivuca mudou o texto. Eis a nova:

"O amor que é verdadeiro cada dia aumenta mais"

Vitor Vogel

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23/07/07
Soldado Morto

Certo dia descobri que Guarnieiri compunha muitas das músicas para suas peças. E não eram músicas de segunda. Quem quiser conferir, procure o disco "Primeiro Cancioneiro de Guarnieri". No orkut tem. Para quem gosta de boa música, vale a pena.

Outro que compôs músicas para suas peças foi Brecht. Achei no famoso umquetenha.blogspot.com um disco chamado "Cida Moreira interpreta Brecht". Ouvi todo o disco, escolhi uma música, "boto pra rolo" a letra e essa arte para que lembremos dos horrores de nossa moderna sociedade.

Vitor Vogel

BALADA DO SOLDADO MORTO
(Legende Vom Toten Soldaten)
(Bertolt Brecht/Kurt Schwaen - versão de Cacá Rosset. Encarte do Disco Cida Moreira Interpreta Brecht)

Durava mais de seis anos a guerra
E a paz não apareceu
Então o soldado se decidiu
E como um herói morreu
Mas como a guerra não terminou
O rei vendo morto o soldado
Ficou muito triste e pensou assim:
Morreu antes do fim.

O sol esquentava o cemitério
E o soldado jazia em paz
Até que uma noite chegou ao front
Um médico militar
Tiraram então o soldado da cova
Ou o que dele sobrou
E o médico disse:
“Tá bom pro serviço, ainda tem muito pra dar!”

Saíram levando dali o soldado
Que já aprodecia
Rezavam em seus braços duas freiras
E uma puta vadia
E como o soldado cheirava a morte
Um padre ia em frente ao andor
Perfumando a cidade com nuvens de incenso
Para encobrir o fedor

A banda ia na frente da procissão
Fazendo bum bum prá trá
Para que o soldado marchasse
Como no batalhão
Dois enfermeiros erguiam o soldado
Para mantê-lo de pé
Pois se ele caísse no chão
Virava um monte de lixo!

Na frente marchava um homem de fraque
Usando gravata engomada
Um bom cidadão consciente de ser
“Patriota da Pátria Amada”
Tambores e gritos de saudação
A mulher, o padre e um cão
O soldado ia morto cambaleando
Um mico de porre dançando
E quando passavam pelas cidades
Ninguém enxergava o soldado
E todos entravam na grande marcha
Gritando: “Pela Pátria lutar!”
Agitavam bandeiras esfarrapadas
Para esconder o soldado
Que só podia ser visto de cima
Mas em cima só brilham estrelas...

Mas as estrelas não estão sempre lá
E outro dia nasceu
Então de novo morreu o soldado
E foi outra vez enterrado!

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25/07/07
Juventude e Socialismo

Todas as fotos e textos aqui publicados são de minha autoria, salvo pequenas exceções, devidamente reconhecidas. Hoje publico uma foto minha, clicada na passeata contra a redução da maioridade penal no Rio. O poema é de um grande amigo e camarada, Gabriel Sobreira.

"União, juventude e socialismo
Palavras que sozinhas significam tanto
E são nada mais do que ideais
Juntas são luta e canto,
Uma promessa de guerra, uma outra de paz"

Vitor Vogel

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30/07/07


A alegria do picadeiro invade a Cidade Imperial

Essa vida, pra quem quer vivê-la intensamente, está recheada de surpresas. Nunca havia fotografado malabarismo, nem muito menos pisei numa arena de circo. Quando o CUCA-Rio me convidou para fotografar a 4ª Convenção de Malabarismo e Circo do Rio de Janeiro, aceitei o desafio de fazer algo que nunca fiz, fotografar malabarismo e circo.

Lá descobri como regular a câmera para captar os momentos certos, esperar o truque e o desfecho do número e, o mais importante, que a arte, de verdade, não depende de champagne ou caviar. Pode ser encontrada na simplicidade dos homens e mulheres, que se dispõem a alegrar e fazer rir esse povo sofrido de nossa terra.

Vitor Vogel

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31/07/07Sibéria fluminense


Enquanto isso, na Sibéria Fluminense, os homens de bem, e os de mal também, se preparam para guerrear.

Antes de colocarem as artilharias e as tropas em posição de combate, contemplam a beleza de uma noite de lua cheia.

Vitor Vogel

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01/08/07


ESTATUINHA
Música de Edu Lobo e Letra de G. Guarnieri

Se a mão livre do negro tocar na argila
o que é que vai nascer ?

Vai nascer pote pra gente beber
nasce panela pra gente comer
nasce vasilha, nasce parede
nasce estatuinha bonita de se ver

Se a mão livre do negro tocar na onça
o que é que vai nascer ?

Vai nascer pele pra cobrir nossas vergonhas
nasce tapete pra cobrir o nosso chão
nasce caminha pra se ter nossa Ialê
e atabaque pra se ter onde bater


Se a mão livre do negro tocar na palmeira
o que é que vai nascer ?

Nasce choupana pra gente morar
e nascem as rêdes pra gente se embalar
nascem as esteiras pra gente deitar
nascem os abanos pra gente se abanar
oi que é pra gente abanar
pra gente abanar (BIS)

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19/08/07


Esta é dedicada aos cegos que não conseguem ver a beleza na vida dos comuns.

8 comentários:

Pam disse...

a minha escolhida foi a que tem um casal conversando.
espontaneidade cativante.

Amanda Pinho disse...

Bem...Primeiro a dos que saudam a vida...Depois a do Mengãoooooo...rs...Abração!

Dea disse...

Caro amigo, sabes que não gosto de injustiças, difícil escolher uma só... Guardadas as devidas proporções, é como quando chega alguém e pergunta, na maior inocência, qual é a sua música preferida dos Beatles. Dá pra dizer que é uma só?

Mas já que vc insiste, faço menção honrosa a 3 fotos: a 3ª, do sol ao fundo entre as árvores, a do casal conversando entre os carros e a do Corcovado enquadrado.

Quanto à foto do Mengão, se o estadual foi garfado (ainda mais em cima do foguinho), compensou a garfação deslavada do jogo contra o Defensor pela Libertadores!!! :D

Criis disse...

Nossa!
Suas fotos e textos são fantasticos!

A do circo é uma das melhores!

;*

Lola disse...

um pouco atrasada, mas segue o comentário ante a tão belas fotos...

Enquanto isso, uma Sibéria fluminense a me esperar, um dia ainda ei de explorar aquelas bandas, e descobrir o que a Cidade de Pedro tem a me mostrar!

AnaCláudia disse...

Quanto à sensibilidade da retina não há o que se discutir.
Mas sobre os andares do prédio social, há que se descobrir algo além do "leia na minha camiseta"
Cadê os projetos? Cadê o "botaprafazer" e a coragem de subir no morro e levar cultura pra quem vive a falta até de comida?
Já acreditei em comunistas, anarquistas e budistas, mas acordei nos dois últimos anos pro meu papel além das ideologias, minha obrigação como pessoa, que se sobrepõe ao sistemas e políticas de meu país.

Ulisses disse...

Meio tarde pra fazer esse comentário, mas aquela foto do Alto
Valonguinho ficou muito maneira.
Conseguiu "embelezar" o campus mais
encimentado da UFF..

Ulisses disse...

Meio tarde pra fazer esse comentário, mas aquela foto do Alto
Valonguinho ficou muito maneira.
Conseguiu "embelezar" o campus mais
encimentado da UFF..